Voltar Artigo - Assuntos Tributários

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A importância da gestão de riscos dos investimentos nas empresas

14 de agosto

A economia brasileira, após surfar na onda favorável da economia internacional, tem mantido desempenho favorável mesmo durante a turbulência, evidenciando, de forma objetiva, a consciência da arquitetura macro.

Autor: Elenito Elias da Costa

A credibilidade conquistada com a exorcização do fantasma da dívida externa, agregado ao compromisso do Banco Central com a estabilidade e a sustentação de superavit primário, ajudou a manter o rumo da economia mesmo em mares revoltos.

A grande interrogação é: até que ponto, planos de investimentos serão afetados pela nova onda de incerteza, reduzindo o ritmo opcional de 15% ao ano, sendo provável que novos projetos poderão ser adiados em função das dificuldades de financiamentos á longo prazo, moltivado por acesso restrito aos fundos internacionais e o secamento de mercado de capitais.

O fundo de investimentos diretos estrangeiros, até agora intenso, também está sendo visivelmente afetado. Em virtude desse fato aumenta a dependencia do BNDES, cujos recursos, entretanto, já estão próximo de seus limites.

Nesse cenário, o ideal é otimizar o marco regulatório de setores chaves de infra-estrutura, pois a redução das incertezas domésticas poderá compensar o ambiente externo hostil, mantendo obviamente os estímulos para o investimento privado.

Para que o investimento tenha objetivos estratégicos de captação de recursos em mercados organizados e assim, permitir a continuidade de expansão dos negócios é fundamental a organização de processos, controles internos e uma reformulação ou adequação da cultura, com total atenção ao gerencimento de riscos corporativos. Acreditando, portanto que o GERENCIAMENTO DE RISCOS e a governança corporativa adquiram relevância crescente nas análises e passem a ser decisivo no processo de decisão quanto á futura aplicação de recursos.

O RISCO é uma realidade inerente ao cotidiano de pessoas e empresas. Sendo o RISCO uma opção, então é possível identifica-lo, classifica-lo, medi-lo e avaliar a probabilidade de sua ocorrência versus ao impacto nos negócios e trata-lo, podendo ser eliminado, tranferido ou reduzido a um nível aceitável. Naturalmente alguns riscos estão relacionados a algumas vantagens (retornos) ou oportunidades, entretanto os líderes modernos os ponderam frente aos benefícios a serem auferidos quando de uma estruturação empresarial.

Algumas práticas possibilitam a redução do nível de exposição de riscos, tais como (Price waterhouse Coopers International Limited):

a) revisão de procedimentos;

b) implantação de quality assurance;

c) testes periódicos nos controles internos;

d) treinamento;

e) supervisão/acompanhamento;

f) revisão independente;

g) documentação de politicas, processos e procedimentos;

h) pesquisa e desenvolvimentoi de monitoração de ambientes;

i) planos de contigencias e clausulas contraturais.

A cultura para o gerenciamento de RISCO deve ser estimulada no processo de estruturação empresarial, sendo que está prática não pode prescindir de alguns elementos fundamentais como:

a) politica;

b) infra-estrutura;

c) metodologia.

Dentre as diversas classificações que vários autores atribuem aos riscos corporativos, as mais conhecidas e estudadas são:

a) risco de crédito;

b) risco de mercado;

c) risco de liquidez;

d) risco operacional.

A gestão de todos esses riscos é importante no processo de estruturação empresarial, mas devido á sua característica, especialistas em gestão de risco tem dado especial atenção ao RISCO OPERACIONAL.

Em sentido amplo, o RISCO OPERACIONAL está associado a fatores internos como deficiência nos controles internos, baixo desempenho dos sistemas informatizados, inadequado desenho organizacional, falta de planejamento, de monitoramento ou de delegação de poderes sem critério adequado, procedimento sem uniformidade, ou resposta inadequada a fatores externos, como riscos politicos, mudanças em legislações tributárias e ou regulamentares do setor de atuação e movimentações estratégicas de concorrentes.

O primeiro passo para o processo de GERENCIAMENTO DE RISCO é identificar os fatores, que impactam em maior ou menor intensidade os negócios das empresas. Posteriormente, por meio de levantamentos de informações junto a cargos-chaves, faz-se o mapeamento do funcionamento dos processos e avalia-se a qualidade do desenho, frente ás necessidades da empresa. Nesse momento também são identificados e avaliados os riscos da situação atual em comparação com a qualidade dos controles internos implantados. O resultado da análise informará á gestão da empresa, os denominados riscos residuais, situação em que os controles internos e a estrutura precisarão de ajustes.

A gestão de RISCO empresarial proporciona ás organizações uma melhoria da sua capacidade para alinhar o RISCO aceitável com a estratégia organizacional, possibilitando a minimização de surpresas negativas e contribui para o aumento do retorno, por isso a gestão de risco é uma das principais preocupações no processo de preparação da alavacagem da empresa.

Ter domínio sobre a gestão de RISCO significa estar preparado para aproveitar as oportunidades nos períodos saudáveis da economia, e, sobretudo, possuir os requisitos essenciais para enfrentar as turbulências em modimentos difíceis.

Com as empresas migrando para o modelo ERM (Enterprise Risk Monagement), ou Gestão Integrada de Risco, o trabalho do CRO (Chief Risk Officer), ficou mais complexo. Esse modelo diferencia-se bastante do modelo de gestão de risco tradicional, no qual diversos departamentos da empresa tinham a terafa de gerenciar diferentes riscos. O usual, até então, é que gerente de risco de SEGUROS mitigasem esposições em property & casualty, tesoureiros em riscos financeiros, auditores internos em questões de compliance, traders em hedge, e assim por diante. O ERM não só analisa os riscos de forma diferente, como também utiliza ferramentas de forma complementar para transferir o risco: seguros, derivativos e outros métodos alternativos de transferências de risco.

Metodologia Básica para uma Gestão de Risco de Investimento (KPMG – Risk Advisory Services):

a) Informações sobre o mercado e a empresa, riscos, projeções, conselheiros, controles internos, políticas de governança corporativa e informações sobre acionistas.

b) Informações sobre controles internos, financial expert do Comitê de Auditoria, Código de Ética e Conduta e honorários do auditor externo.

c) Demonstrações financeiras; notas explicativas e anexos:

• Parecer dos auditores independentes;

• Certificação do CEO/CFO sobre a divulgação e responsabilidade pelas informações (SOX 302 e 906).

de risco divulgados:

Relacionados ao Brasil

• Instabilidade política e econômica no País.

• Mudanças na política de impostos.

• Mudanças na taxa de juros.

• Volatilidade do câmbio.

• Inflação.

Relacionados às indústrias nas quais atuam as empresas

• Aumento na competitividade dos setores.

• Aumento dos impostos cobrados sobre as bebidas no Brasil e altos níveis de evasão fiscal.

• Mudanças nas regulamentações das operações de bancos e seguradoras.

• Ajustes nas tarifas de importação que beneficiem concorrentes.

• Preços de mercado cíclicos.

• Desenvolvimento de novas

Relacionados às empresas e seus negócios

• Aumento do preço dos insumos.

• Dependência em relação a poucos clientes e fornecedores-chave.

• Potenciais imposições restritivas por autoridades antitruste quanto às aprovações de transações.

• Falha na implementação de novas tecnologias necessárias para combater fraudes na rede.

• Término dos contratos de concessão.

• Downgrades nos ratings para obtenção de crédito.

• Mudanças nas leis trabalhistas.

• Desvalorização do Real.

• Controles cambiais ou restrições sobre remessas para fora do País.

• Crescimento da economia local.

• Flutuação da moeda.

• Falta de energia elétrica.

• Liquidez do capital doméstico e do lending market.

• Outros desenvolvimentos políticos, diplomáticos, sociais e econômicos no Brasil.

tecnologias na indústria global de telecomunicações.

• Reestruturação das agências reguladoras governamentais.

• Aumento da competição com os provedores de telefonia celular.

• Dependência da obtenção de licenças ambientais e imposição de novos regulamentos.

• Desenvolvimento de outros mercados, especialmente a China, o que pode ocasionar a queda da demanda por produtos nacionais.

• Estabelecimento de regras para linhas de telefones fixos (Telecom).

• Estrutura do setor de energia elétrica extremamente concentrada na geração hidroelétrica.

• Mudanças nas regulamentações da aviação civil brasileira e no controle de tráfego aéreo.

• Pirataria.

• Riscos de saúde relacionada ao mercado de alimentos.

• Regulamentação da segurança dos alimentos.

• Custo e resultados da estratégia de expansão de internet banking no Brasil.

• Conflitos de interesses entre os acionistas.

• Flutuações na demanda por aço.

• Falta de cobertura para certos riscos nas apólices de seguro.

• Protestos ambientais (comunidades indígenas).

• Participação em Sociedades de Propósito Específico (SPEs).

• Grau de incerteza sobre a estimativa de reservas de gás natural e óleo.

• Incêndios, acidentes aéreos e desastres ambientais.

• Dependência de sistemas automatizados.

• Incapacidade de manter a cultura corporativa com o crescimento da empresa.

• Aumento no turnover de clientes.

• Requerimentos necessários para ser uma companhia aberta, impactando a habilidade de atrair e reter membros qualificados no Conselho.

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atalisaciaDimensão de Governança Corporativa

É bem verdade, que muitas empresas pereceram ao longo do caminho motivado por diversos fatores, principalmente, aquelas que não estão preparadas para um novo mercado econômico que exige capacitação e qualificação mais antenada com uma economia globalizada no entendimento dos modernos empreendedores.

Em consequência, alguns fundos e diversos investimentos, se não acordarem para esse novo mercado não alcançaram resultados positivos em seus objetivos, o que deve ser entendido como fator RISCO não devidamente calculado, mas devemos entender como meramente comum daí existir a figura do DESÁGIO.

Em sincronia racional ao texto do presente artigo, com a crise financeira existente, o surgimento do CRO compreende uma categoria necessária à gestão das empresas que desejam encontrar mares navegáveis ao longo do período de sua continuidade e sustentabilidade, fato esse, que corrobora para a transparência da gestão empresarial devidamente refletida em seus controles internos e principalmente nos demonstrativos contábeis e financeiros.


Contador, Auditor, Analista Econômico e Financeiro. Instrutor de Cursos do SEBRAE/CDL/CRC. Professor Universitário Avaliador do MEC/INEP do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis. Consultor do Portal da Classe Contábil e da Revista Netlegis. Articulista da Interfisco e do IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Boletim No.320). Autor de vários textos científicos registrados no Instituto de Contabilidade do Brasil. Sócio da empresa IRMÃOS EMPREENDIMENTOS CONTÁBEIS S/C LTDA.

 

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